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ÍNDICE

1. Denominação do curso
2. Tipo de curso
3. Justificação do Curso e sua integração nos objectivos e atribuições da FAulisboa
4. Duração, carga horária total e semanal e calendarização do curso
5. Programa de actividades do curso
6. Destinatários e condições de acesso
7. Numerus clausus, número mínimo de inscrições para o curso funcionar e método de selecção de candidaturas
8. Formas de avaliação
9. Proposta de atribuição de créditos ECTS
10. Proposta de equivalência a unidades curriculares dos cursos de 2º e 3º ciclo da FAulisboa
11. Proposta de corpo docente
12: Síntese dos conteúdos das unidades curriculares

 

1. Denominação do curso

Curso de Estudos Avançados em Cultura Urbana de Origem Portuguesa.

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2. Tipo de curso

Curso de Estudos Avançados, a que correspondem 40 ECTS, de acordo com a alínea c) do Artº 10º do Despacho nº 822/2013 de 15 de Janeiro de 2013.

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3. Justificação do Curso e sua integração nos objectivos e atribuições da FAulisboa

O território português foi desde cedo palco de múltiplas migrações e influências culturais que tiveram a sua expressão nas formas de povoamento e de organização urbana. Mais tarde, a fundação de núcleos urbanos foi uma importante componente da construção e da consolidação do império colonial português. As formas urbanas construídas quer no território europeu quer neste amplo espaço colonial resultaram da síntese de múltiplas influências, dando origem a morfologias urbanas, práticas e teorias urbanísticas específicas no contexto do urbanismo europeu.

O estudo das características fundamentais desta cultura urbana é condição necessária para compreender quer as cidades portuguesas construídas no território europeu quer as cidades construídas pelos portugueses em múltiplos contextos históricos e geográficos e que influenciaram determinantemente as respectivas culturas urbanísticas.

Em cada um dos locais onde esta cultura urbana está presente ela assume uma especificidade própria que contudo radica em origens comuns. A compreensão destas diferentes realidades e os processos envolvidos na sua estruturação devem ter em consideração, por um lado, as especificidades de cada local e, por outro lado, a identidade de cultura que as une.
São objectivos do curso de Cultura Urbana de Origem Portuguesa entender a cultura urbana dos países de língua portuguesa: as suas raízes comuns, os processos de síntese envolvidos na concepção e na construção de núcleos urbanos em diferentes contextos, as invariantes morfológicas e as especificidades locais, a importância da preservação deste património na perspectiva cultural, social e económica, bem como a sua relevância como referência para a reabilitação urbana e a construção da cidade contemporânea.

A compreensão dos processos que deram origem a estas formas de organização urbana e a preservação das suas características morfológicas são essenciais para a permanência da memória, das tradições e da cultura das comunidades que as habitam. O respeito por esta cultura urbana historicamente sedimentada impede a descaracterização das cidades e evita o seu desenvolvimento segundo princípios e modelos alheios às culturas locais. A preservação da cultura urbana tem também um valor económico que deve ser explorado, tornando-se uma referência para o desenvolvimento e o futuro das comunidades.

O Curso de Estudos Avançados em Cultura Urbana de Origem Portuguesa assume-se também como um projecto de pesquisa, em que para além da transmissão de conhecimento se procure também, através do trabalho dos alunos e docentes, a produção de conhecimento. Neste processo procurar-se-á que estejam envolvidos tanto docentes como alunos oriundos de diferentes países de língua portuguesa, que permitam o confronto de múltiplas perspectivas sobre os temas em estudo, que é objectivo do curso explorar.

Tais objectivos integram-se plenamente na missão e nos princípios orientadores da Faculdade de Arquitectura e no papel crescente que a Faculdade de Arquitectura pode desempenhar no espaço cultural da língua portuguesa.

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4. Duração, carga horária total e semanal e calendarização do curso

O Curso organiza-se em dois módulos, correspondentes a dois semestres lectivos. Cada um destes módulos – um no primeiro semestre, outro no segundo semestre – consiste em quatro unidades curriculares, cada uma com uma carga lectiva (horas de contacto) de 21 horas, a que corresponde um total de 84 horas lectivas (horas de contacto) em cada semestre, ou de 168 horas nos dois semestres.

Cada um destes módulos desenvolve-se de forma compacta ao longo de quatro semanas. O primeiro realiza-se no mês de Março, o segundo no mês de Setembro. As aulas são presenciais, podendo ser acompanhadas através de sistemas de ensino à distância, no caso de o sistema se vir a operacionalizar na Faculdade de Arquitectura. O acompanhamento do trabalho dos alunos poderá ser igualmente feito de forma presencial ou através de sistemas de ensino à distância.

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5. Programa de actividades do curso

5.1. Estrutura do Curso

O primeiro módulo, correspondente ao primeiro semestre, destina-se a fornecer um enquadramento da cultura urbana portuguesa e as suas características morfológicas. O segundo módulo destina-se a explorar os processos de adaptação da cultura urbana portuguesa a diferentes contextos geográficos e culturais e a definição de estratégias para a sua recuperação.

Cada um dos módulos consiste de três unidades curriculares obrigatórias e de uma unidade curricular optativa. Todas as unidades curriculares de que compõem este curso – obrigatórias ou optativas – são oferecidas como optativas de outros cursos do 2º e 3º ciclo da Faculdade de Arquitectura.


5.2. Plano de estudos

1º semestre
       
Unidades Curriculares Área Disciplina Horas Totais Horas Contecto ECTS
Organização do território e estruturação urbana CS 140 21 5
Fundamentos da cultura urbana portuguesa U 140 21 5
Agentes da forma urbana U/HT 140 21 5
Optativa 1   140 21 5
TOTAL   560 84 20

 

2º semestre
       
Unidades Curriculares Área Disciplina Horas Totais Horas Contecto ECTS
Teoria e prática do urbanismo de origem portuguesa U 140 21 5
Urbanismo colonial europeu U 140 21 5
Identidade e design dos espaços urbanos Dgn 140 21 5
Optativa 2   140 21 5
TOTAL   560 84 20

 

Unidades Curriculares Optativas

1º Semestre
       
Unidades Curriculares Área Disciplina Horas totais Horas Contacto ECTS
Raízes da arquitectura portuguesa HT 140 21 5
Gramáticas de forma A/D 140 21 5
Disciplinas oferecidas por outros cursos de 3º ciclo        
         
2º Semestre
       
Arquitectura portuguesa da expansão HT 140 21 5
Valor cultural da arquitectura e urbanismo portugueses CS 140 21 5
Disciplinas oferecidas por outros cursos de 3º ciclo        

A – Arquitectura; CS – Ciências Sociais e do Território; D – Desenho e Comunicação Visual; HT – História e Teoria da Arquitectura, do Urbanismo e do Design; DGn – Design.

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6. Destinatários e condições de acesso

O Curso de Estudos Avançados em Cultura Urbana de Origem Portuguesa destina-se a Licenciados pré-Bolonha ou detentores do 2º ciclo de Estudos Superiores pós-Bolonha nas áreas de Arquitectura, Urbanismo, Engenharia, Geografia, História, Antropologia, ou de outras áreas disciplinares, com interesse científico ou actividade centrada neste domínio.

A realização do Curso em dois módulos compactos de quatro semanas tem por objectivo facilitar a sua frequência por alunos de fora de Portugal, nomeadamente oriundos de territórios onde se verificou uma influência urbanística portuguesa.

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7. Numerus clausus, número mínimo de inscrições para o curso funcionar e método de selecção de candidaturas

O numerus clausus é de 30 alunos, sendo 20 o número mínimo de inscrições para o curso funcionar. A selecção é feita através de análise curricular e de entrevista a todos os candidatos.

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8. Formas de avaliação

A avaliação de cada unidade curricular obrigatória, ou das optativas oferecidas por este Curso, é feita através da produção de um artigo científico, que pode ter o suporte de um trabalho prático, versando um tema da unidade curricular aprovado pelo respectivo responsável. A avaliação das unidades curriculares optativas oferecidas por outros cursos adoptará as respectivas formas de avaliação.

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9. Proposta de atribuição de créditos ECTS

A cada uma das unidades curriculares são atribuídos 5 créditos ECTS, a que correspondem 21 horas lectivas (horas de contacto), e 140 horas de trabalho totais, conforme o Plano de Estudos e de acordo com o Sistema Europeu de Créditos e as Directrizes para a Atribuição de Créditos ECTS aprovadas pelo Conselho Científico da Faculdade de Arquitectura em 15 de Julho de 2010. O número total de créditos em cada um dos semestres é de 30 ECTS, ou de 60 ECTS na totalidade do curso.

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10. Proposta de equivalência a unidades curriculares dos cursos de 2º e 3º ciclo da FAulisboa

A maior parte das unidades curriculares que compõem o plano de estudos deste Curso de Estudos Avançados correspondem a uma nova oferta de ensino, pelo que não existe uma correspondência directa com unidades curriculares ministradas nesses ciclos de estudo. A excepção é a unidade curricular Gramáticas de Forma, ministrada no curso de Doutoramento em Arquitectura. Outras unidades curriculares optativas são igualmente ministradas no Curso de Estudos Avançados em Arquitectura Popular: Valor Cultural da Arquitectura e do Urbanismo Portugueses e Raízes da Arquitectura Portuguesa.

Verificando-se contudo uma identidade de requisitos científicos, horas de contacto, horas de trabalho totais e unidades de crédito entre este Curso de Estudos Avançados e cursos de 3º ciclo da Faculdade de Arquitectura, propõe-se que seja concedida a creditação dos ECTS das unidades curriculares deste Curso de Estudos Avançados e possibilitado aos seus alunos o prosseguimento de estudos em cursos de 3º ciclo da Faculdade de Arquitectura, nomeadamente no curso de Doutoramento em Urbanismo.

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11. Proposta de corpo docente

O corpo docente combina docentes da FAulisboa com docentes externos e especialistas convidados que constituam uma mais-valia nas matérias que ministram e que reforcem a atractividade do curso. Os responsáveis por cada unidade curricular, em articulação com a coordenação, terão a responsabilidade de convidar outros docentes da FAulisboa, ou exteriores, para colaborar na docência das respectivas unidades curriculares.

Nestes docentes externos incluem-se docentes e especialistas de outros países de língua portuguesa que tragam a sua visão específica e permitam o confronto de múltiplas perspectivas sobre os temas em estudo, que é também objectivo do curso explorar.

1º Semestre
 
Organização do território e estruturação urbana Graça Moreira
Fundamentos da cultura urbana portuguesa Manuel Teixeira
Agentes da forma urbana José M. Fernandes / Rui Carita
Optativas:  
Raízes da arquitectura portuguesa Paulo Pereira
Gramáticas de forma José P. Duarte / Luís Romão
   
2º Semestre
 
Teoria e prática do urbanismo de origem portuguesa Clara Mendes/ Carlos Dias Coelho / Manuela Fonte
Urbanismo colonial europeu Manuel teixeira
Identidade e design dos espaços urbanos Moreira da Silva
Optativas:  
Arquitectura portuguesa da expansão Paulo Pereira / Rafael Moreira
Valor cultural da arquitectura e urbanismo portugueses Rita Almendra

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12: Síntese dos conteúdos das unidades curriculares

1º semestre

Organização do território e estruturação urbana
Morfologia do território e forma urbana. O território e as suas determinantes naturais como referência fundamental para a organização urbana. A estrutura natural e os factores ambientais e a sua influência no processo de urbanização: a estruturação da rede urbana, a localização dos núcleos urbanos, a estrutura e a morfologia dos espaços urbanos.

Fundamentos da cultura urbana portuguesa
Raízes do urbanismo português. As concepções de espaço das cidades portuguesas. Principais influências, períodos de desenvolvimento e características morfológicas do urbanismo português, das suas origens pré-romanas ao final do século XVIII. A componente vernácula e a componente erudita do urbanismo português no contexto da cultura urbana europeia. A tratadística europeia e portuguesa. As influências cruzadas: Portugal / Europa, Portugal / espaços coloniais. A formação teórica de arquitectos e engenheiros militares, a disseminação do conhecimento e a circulação de ideias.

Agentes da forma urbana
Agentes de transformação do território e determinantes da forma urbana, da localização ao traçado e à morfologia dos espaços urbanos. A estrutura de propriedade; as ordenações do reino, a legislação urbana portuguesa e as posturas municipais. A influência dos espaços de natureza religiosa na estruturação urbana, o papel das Misericórdias na organização funcional e formal dos espaços urbanos. Engenharia militar, estruturas defensivas e forma urbana.

Raízes da arquitectura portuguesa
Abordagem à arquitectura portuguesa do ponto de vista histórico, tendo como metodologia de base a definição das tipologias dos diversos períodos: as tipologias em regime de evolução, regresso ou transmutação, eventualmente em confronto. Identificação dos períodos e dos objectos arquitectónicos na sua interacção com o território e com os contextos histórico-culturais que os produziram. As séries e as tipologias, análise de exemplos particularmente significativos.

Gramáticas de forma
Instrumentos teóricos e práticos para a compreensão e a descrição da forma de acordo com os princípios generativos das gramáticas, entendidas como sistemas lógicos e visuais que permitem descrever a forma nas suas diferentes significações. Gramáticas de forma: teoria e aplicações em arquitectura, urbanismo e design. Forma, forma analítica, transformações no espaço Euclidiano.

Ficha da Disciplina pdf icon

 


2º semestre

Teoria e prática do urbanismo de origem portuguesa
Morfologias urbanas da expansão portuguesa. As características morfológicas dos traçados urbanos de origem portuguesa construídos em diferentes contextos históricos, geográficos e ambientais. Os processos de urbanização e as morfologias urbanas das principais áreas de colonização portuguesa. Modelos de ocupação e os planos urbanos como processo de sedimentação. Influências portuguesas e autóctones, a síntese de culturas urbanísticas. A perspectiva eurocêntrica e as perspectivas locais.

Urbanismo colonial europeu
Asculturas urbanas dos diferentes estados europeus na génese do urbanismo colonial. Os urbanismos coloniais no contexto dos respectivos projectos coloniais, dos tempos históricos, das culturas urbanas das metrópoles e das realidades urbanas de cada local. Os urbanismos coloniais de Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França: dissimilitudes, influências cruzadas e convergências. A formação de uma cultura urbana europeia.

Identidade e design dos espaços urbanos
Instrumentos de análise urbana e caracterização urbanística. A preservação da identidade urbana. Avaliação crítica de estratégias de desenho urbano, definição de áreas de intervenção prioritárias, os edifícios singulares como factores de regeneração e de reabilitação dos espaços urbanos. O carácter interdisciplinar das intervenções. Do desenho urbano ao equipamento, passando pela escala da comunicação visual e gráfica. Abordagem inclusiva na reabilitação dos espaços urbanos, sua gestão, salvaguarda e valorização. As morfologias urbanas portuguesas no desenho da cidade contemporânea.

Arquitectura portuguesa da expansão
Os grandes centros produtores de modelos – Lisboa, Évora, Coimbra e Tomar – e as viagens dos modelos. Os arquitectos itinerantes, dos modelos da tratadística à produção regional. Os diferentes processos de miscigenação dos modelos arquitectónicos eruditos e dos saberes construtivos locais. Evolução dos modos de ver, ler e fazer, a experiência acumulada. Do empirismo à teoria e aos programas, os processos de reinvenção e a circulação das formas no espaço colonial.

Valor cultural da arquitectura e urbanismo portugueses
Cultura, memória, identidade e tradição. Cultura material e imaterial na construção. Economia cultural, criativa e do conhecimento, contextos para a compreensão e construção de políticas, estratégias e práticas de preservação do património cultural edificado. Requalificação e capitalização dos bens e serviços culturais. As economias locais e globais. Modelos de enquadramento dos bens e serviços culturais, instrumentos e métricas de avaliação. Casos de estudo, contexto nacional e internacional.

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